quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"Quem colocou este cérebro dentro de mim? Ele chora, ele demanda, ele diz que há uma chance. Ele não dirá “não”."
Charles Bukowski

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Para um cão,você não precisa de carrões,de grandes casas ou roupas de marca. Símbolos de status não significavam nada para ele. Um graveto já está ótimo. Um cachorro não se importa se você é rico ou pobre, inteligente ou idiota, esperto ou burro. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Dê seu coração a ele, e ele lhe dara o dele. É realmente muito simples, mas, mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. De quantas pessoas você pode falar isso? Quantas pessoas fazem você se sentir raro, puro e especial? Quantas pessoas fazem você se sentir extraordinário?
Marley e eu

domingo, 2 de dezembro de 2012

"Só as duas primeiras semanas tinham algum impacto e depois as pessoas perdiam o interesse. As máscaras caíam, as pessoas mostravam o que eram: cheias de defeitos, imbecis, dementes, vingativas, sádicas, assassinas."
— Bukowski

sábado, 1 de dezembro de 2012

A brutalidade travestida de arte: exposições cruéis causam indignação

Duas exposições realizadas no Brasil, nas últimas semanas, têm causado repulsa e indignação. Uma delas é a mostra de banners na estação 1º de Maio do metrô, em Belo Horizonte, assinada por Rodrigo Braga, que estampa a mutilação de animais mortos e outros vivos em suas fotografias.

Cruel e de extremo mau gosto, a exposição mostra um burro enterrado vivo com a cabeça para fora e ainda várias interações do pretenso artista com partes de animais como cabeças de peixes e chifres de outros animais.

Rodrigo alega que em relação a três fotografias,  “as partes orgânicas em questão foram coletadas a partir de animais já mortos em circunstâncias anteriores e alheias à sua vontade, sendo estas parte de hábitos humanos instaurados universalmente, que envolvem o consumo alimentar humano”, disse em comunicado enviado à redação da ANDA.

Em seu site, Rodrigo ainda traz vídeos que mostram animais em diversas situações de maus-tratos, consideradas, minimamente,  cruéis. Um exemplo é o vídeo intitulado “Vontade”, onde dois canários, um vivo e um morto, são amarrados juntos. O passarinho vivo tenta, desesperadamente, soltar a amarra que o prende ao outro canário, que o impossibilita de voar.

Na visão inconsciente do pernambucano Rodrigo Braga não há nenhuma forma de crueldade. “O vídeo intitulado “Vontade” (2007), apresenta dois pássaros nascidos e criados originalmente em cativeiro (canários), adquiridos em feira pública e legalizada.  “A amarração a outro animal semelhante vivo foi realizada com cordão de algodão macio e sem tensão local na pata do animal”, explica ele como se o tipo de cordão descaracterizasse os maus-tratos a que o pobre canário foi submetido.

Rio de Janeiro

Outra exposição que tem gerado revolta é uma parceria entre dois artistas brasileiros, o gaúcho Daniel Acosta e o carioca Daniel Murgel, que expõe no Rio de Janeiro, ‘O Sacrifício pela vida na guarita (SACREDFISHYOUSYSTEM)’, em cartaz desde o último dia 26, na  Sala A Contemporânea do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

O título da mostra recebe uma tradução livre com a palavra sacrifício transformada em sacredfishyou (sagrado+peixe+você), em que you (você) pretende levar o público para dentro de um sistema.

 
 Projeto visa retirar água de aquários para irrigar plantas, enquanto peixes morrem
(Arte: Divulgação)

A “brilhante” ideia dos dois apresenta duas guaritas de isopor suspensas em cantos opostos da sala. Dentro delas, muitas plantas e lâmpadas piscam constantemente como alarme. As plantas são irrigadas por um mecanismo que retira água de dois aquários com peixes, colocados sobre o piso, que são lentamente esvaziados por um sistema hidráulico. Com o tempo, os peixes ficam sem água e morrem asfixiados lentamente. O (des)propósito da obra, segundo eles é mostrar que a vida das plantas significa a morte dos peixes.

A obra, que deveria ser considerada um crime, parte de uma premissa absurda e cruel, o que a torna estúpida e sem significado.

Entre as questões citadas por Acosta e Murgel estão um sistema de segurança que prende, cerca e isola as pessoas, as luzes que geram tensão, o mato que cresce nas guaritas e a ideia de ruína. Podemos traduzir o ponto de ruína a partir, exatamente, da ideia de protesto atrelado à morte de peixes, violenta e bárbara, tomadas como obra de arte nesta exposição.

Vîolência travestida de arte

O fato absurdo de tais ações serem consideradas formas de arte só demonstra que a sociedade vê os animais como simples objetos. Dar espaço a estas pessoas, neste tipo de atividade, é uma apologia à brutalidade.

Abrigar exposições que maltratam e assassinam animais é apoiar e incentivar o desrespeito à vida. Este tipo de “arte” está a serviço da violência, contra a qual a sociedade diz combater.


Nota da Redação: É inaceitável que duas instituições de respeito e credibilidade como o Metrô e o Centro Cultural Banco do Brasil abriguem essas propostas. Que arte é essa que tortura e mata animais? Onde pode haver protesto artístico se a própria expressão reforça e incentiva o que supostamente está sendo criticado? Que arte é essa que distorce o conceito de direito  à vida e à liberdade a ponto de justificar a exploração e a mediocridade? A arte deve ser um veículo de inspiração e fomento à consciência e não de morte e violência. Se fossem utilizados, na mesma proposta, corpos humanos doados legal e voluntariamente, quais seriam as reações dessa curadoria? Se, em vez de animais fossem usadas partes de crianças, essas exposições teriam encontrado apoio e espaço? Enquanto não for compreendido por todos a igualdade de direitos entre animais humanos e  não-humanos e ainda restarem dúvidas sobre o dever de respeito à vida, em qualquer instância,  exposições como essas serão aceitas, aprovadas e premiadas pela sociedade, atestando a ignorância de alguns em detrimento da consciência de outros.



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