quinta-feira, 24 de novembro de 2011

"Já não acredito se você chora dizendo me amar
Eu sei que na verdade carinhos você quer ganhar..."

          Gatinha Manhosa, Erasmo Carlos

sábado, 19 de novembro de 2011

Ar Livre

A menina translúcida passa.
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.

Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam leves alvoradas de neblina.

Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.
A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.

 E quando pára na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.
                 Cecília Meireles

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Amo você para sempre e para sempre
Amo você com todo o meu coração
Amo você quando estamos juntos
Amo você quando estamos separados...
                I Will, The Beatles


         

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

É tão certo quanto calor do fogo
Eu já não tenho escolha
E participo do seu jogo, participo.

Não consigo dizer se é bom ou mal
Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá o que quer que eu faça
Sem você não tem graça...

               Fogo, Capital Inicial

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Teu corpo

O teu corpo muda
independente de ti.
Não te pergunta
se deve engordar.

É um ser estranho
que tem teu rosto
ri em teu riso
e goza com teu sexo.
Lhe dás de comer
e ele fica quieto.
Penteias-lhe os cabelos
como se fossem teus.

Num relance, achas
que apenas estás
nesse corpo.
Mas como, se nele
nasceste e sem ele
não és?
Ao que tudo indica
tu és esse corpo
– que a cada dia
mais difere de ti.

E até já tens medo
de olhar no espelho:
lento como nuvem
o rosto que eras
vai virando outro.

E a erupção
que te surge no queixo?
Vai sumir? alastrar-se
feito impingem, câncer?
Poderás detê-la
com Dermobenzol?
ou terás que chamar
o corpo de bombeiros?

Tocas o joelho:
tu és esse osso.
Olhas a mão:
tu és essa mão.
A forma sentada
de bruços na mesa
és tu.
Quem se senta és tu,
quem se move (leva
o cigarro à boca,
traga, bate a cinza)
és tu.
Mas quem morre?
Quem diz ao teu corpo – morre –
quem diz a ele – envelhece –
se não o desejas,
se queres continuar vivo e jovem
por infinitas manhãs?
                  Ferreira Gullar

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Lya Luft

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

"Aquele que botar as mão sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo"
             Pierre-Joseph Proudhon