quarta-feira, 9 de julho de 2014

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto    tão perto    tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

Mário Cesariny

domingo, 6 de julho de 2014

Dize-me, amor, como te sou querida,
Conta-me a glória do teu sonho eleito,
Aninha-me a sorrir junto ao teu peito,
Arranca-me dos pântanos da vida.
Florbela Espanca

sábado, 5 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Talvez tu não acredites
mas
amor e ódio existem em toda parte
existe amor em aeroporto
existe amor
em ponto de ônibus
existe amor
na beira do abismo
existe ódio em meio a um sorriso


não me convém pensar em algo lúcido
amar é ter um pé infalso com o artifício
artifício de querer-te
desejar-te
odiar-te
devorar-te
esquecer-te.

Gabriela Vieira

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Não posso mais ouvir em silêncio.
Preciso falar com você pelos meios de que disponho neste momento.
Você partiu minha alma.
Sou metade agonia, metade esperança.
Não me diga que é tarde demais,
que sentimentos tão preciosos foram-se para sempre.
Ofereço-me para você de novo
com um coração muito mais seu
do que quando você quase o despedaçou há oito anos e meio atrás.
Não se atreva a dizer
que o homem esquece mais rápido do que a mulher,
que seu amor morre mais cedo.
Eu tenho amado somente você, mais ninguém.
Injusto posso ter sido, fraco e ressentido também,
mas nunca inconstante.

Jane Austen

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Anda, vem… por que te négas,
Carne morêna, toda perfume?
Por que te cálas,
Por que esmoreces
Boca vermêlha, - rosa de lume!

Se a luz do dia
Te cóbre de pêjo,
Esperemos a noite presos n’um beijo.

Dá-me o infinito goso
De contigo adormecer,
Devagarinho, sentindo
O arôma e o calôr
Da tua carne, - meu amôr!

E ouve, mancebo aládo,
Não entristeças, não penses,
- Sê contente,
Porque nem todo o prazer
Tem peccado…

Anda, vem… dá-me o teu corpo
Em troca dos meus desejos;

Tenho Saudades da vida!

Tenho sêde dos teus beijos!

António Botto

terça-feira, 1 de julho de 2014

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida

Amar é triste
O que é que existe?
O amor

Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade

Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

Vinicius de Moraes