domingo, 6 de outubro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso frequento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos. Sim, meu coração é muito pequeno. Só agora vejo que nele não cabem os homens. Os homens estão cá fora, estão na rua. A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava. Mas também a rua não cabe todos os homens. A rua é menor que o mundo. O mundo é grande… Tu sabes como é grande o mundo. Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão. Viste as diferentes cores dos homens, as diferentes dores dos homens, sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso num só peito de homem sem que ele estale. Fecha os olhos e esquece. Escuta a água nos vidros, tão calma, não anuncia nada. Entretanto escorre nas mãos, tão calma! Vai inundando tudo… Renascerão as cidades submersas? Os homens submersos – voltarão? Meu coração não sabe. Estúpido, ridículo e frágil é meu coração. Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas (na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam). Outrora escutei os anjos, as sonatas, os poemas, as confissões patéticas. Nunca escutei voz de gente. Em verdade sou muito pobre. Outrora viajei países imaginários, fáceis de habitar, ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio. Meus amigos foram às ilhas. Ilhas perdem o homem. Entretanto alguns se salvaram e trouxeram a notícia de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias, entre o fogo e o amor. Então, meu coração também pode crescer. Entre o amor e o fogo, entre a vida e o fogo, meu coração cresce dez metros e explode. – Ó vida futura! Nós te criaremos" -
Carlos Drummond de Andrade.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
" Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
Sempre longe.
E dentro de tudo".
Cecília Meireles
Cecília Meireles
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
"A gente sempre precisa ver o mundo por outro ângulo. Assistir ao que ainda não se passa na televisão e enxergar atrás das muralhas que se estendem para ocultar a verdade. Precisamos admirar o abstrato e ver até mesmo onde vista não alcança. Se não o fizermos, o mundo perderá a cor. E a cegueira a que me refiro é aquela que tapa os olhos da alma, nos impedindo de ver a sujeira se acumulando entre as lacunas da vida. Somos sempre abençoados com o dom da visão, mesmo que este sentido não esteja literalmente conectado aos planetas que orbitamos nos olhos. Algumas pessoas enxergam o mundo através da escrita, observando os cosmos do universo entre suas metáforas. Outras o vêem pelo reflexo dos espelhos, juntando o incompleto e acertando-se entre os seus erros. Músicos observam o mundo sob suas partituras, matemáticos entre incógnitas impossíveis e todos nós pelo amor. A maneira como todos enxergamos o mundo em frente aos nossos olhos é o que nos faz autênticos. Só é cego quem não conseguem sentir e admirar as coisas com a alma. Pois a pupila é a nossa verdadeira identidade."
—Unirversos
—Unirversos
terça-feira, 1 de outubro de 2013
"Talvez você não acredite, mas há pessoas que passam a vida sem o menor atrito ou agonia. Eles se vestem bem, comem bem, dormem bem, estão satisfeitos com a vida em família. Eles têm momentos de melancolia. Mas, no geral, não são incomodados e, frequentemente, sentem-se muito bem quando morrem. É uma morte fácil. Geralmente, dormem. Talvez você não acredite, porém essas pessoas existem. Mas eu não sou uma delas. Ah não, eu não sou uma delas. Eu nem chego perto de ser uma delas. Mas elas estão lá e eu estou cá!"
Charles Bukowski
Charles Bukowski
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